quinta-feira, 8 de março de 2018

[Poema] Feminil, de Valdyce Ribeiro



FELIZ DIA INTERNACIONAL DA MULHER!



Feminil
        
Forte, frágil
o choro no parto
e na partida
O colo, o afago
a mão amiga
a multiplicar e a dividir
o amor, o peito
O ciúme, o zelo
a luta, o espaço
o trabalho vasto
a dupla jornada
A metamorfose
a beleza terna
a tigresa
do palácio, do beco
O véu, o fel
o comando, a gueixa
O desejo, o medo
das mudanças, das rotinas
Irreverências
Preferências
Sabedoria
Fé, descrença
És ser a tecer
e destecer malhas! 




Professora de Contabilidade Geral,  Custos e Análises de Balanços, Empreendedorismo e de Orçamentos, Captação de Recursos e Oratória.
Poesias: 1) Captar de Pensamentos/ 2) Vida & Verso/ 3) Luz Viva/ 4) Entre Parênteses/ 5) A Magia da Poesia / 6) Estação Poesia e 7) Flor & Ponte.
Autora do livro crônicas: Entre Cuecas e Calcinhas e outras Crônicas.
Criadora e organizadora do Sarau Itinerante Dyce- Poesias. 










domingo, 18 de fevereiro de 2018

[Conto] Indecisión, de Gustavo Pino



INDECISIÓN
Gustavo Pino



  
Apura, apura, me repite ella una y otra vez, antes de saltar hacia el otro extremo con facilidad. Su agilidad no deja de sorprenderme. Y solo tengo ganas de decirle que saltar todo eso está imposible. ¿Acaso no se da cuenta que el agujero de cemento es enorme? La caída sería mi final, las olas en el muelle herrumbroso me despedazarían contra los escombros de un desembarcadero en tiempos de gloria pasada. Solo salta, no seas cobarde, me dice. Avanzo por el borde más ancho, el más seguro a simple vista, y me maldigo por no haberla detenido en su locura, me repito. El vértigo es incontrolable, recorre la boca de mi estómago sin piedad aparente, y me imagino tumbado por el ventarrón que sorprende de rato en rato. ¡Cuidado!, increpa la morenita. Las olas revientan en el fondo del agujero y el agua salpica hasta mi rostro. Me acuclillo y me sostengo de fierros saltones de una estructura tembleque como mis piernas indecisas a hacerle caso a la voz chillona. ¡Salta ya, hazlo ahora!, grita histérica. El brinco es desproporcionado y caigo sobre ella aplastándola contra el suelo. Ríe a mandíbula batiente, y no me es difícil secundarla. ¿Ya ves que no era tan difícil?, observa. Sí, claro, pienso. Asiento con la cabeza pasando mis manos por la ropa empolvada, ella me imita. Luego, me toma de la mano y me arrastra hacia el fin de nuestro camino inclinado, chueco como un cojo de batalla perruna. No vayan al muelle viejo, nos advirtió la abuela de ella, en cualquier momento se derrumba. Pero aún así, ahí estamos, en el añoso atracadero de la ciudad sureña. ¡Vamos camina, date prisa!, me dice ella, que ha insistido desde varios días en mostrarme su lugar favorito. ¿Qué cosa es? ¿Dónde queda? Ya déjate de misterios, traté de averiguar sin resultado alguno, sorbiendo de alguna paleta aguada luego de las clases al mediodía. Ya falta poco, camina más rápido, y me jalonea como a su marioneta. No te vayas a tropezar, mira nomás las piedras en las que te caerías, me advierte. El camino improvisado es más estrecho que el anterior. Ya está, este es el lugar que te comenté, ¿qué te parece? La miro sin ganas de decir nada: sus cabellos revolotean con la brisa que sopla con mayor intensidad, y pienso que es el momento indicado de decirle todo, como si hubiera alguno. Pero nuevamente el temor me gana y solo estoy ahí en el borde de un muro torcido, con el atardecer anaranjado, y dejo que la ventisca se lleve las palabras elaboradas frente a un espejo, un primer beso frustrado por la salinidad del ambiente, las palabras se corroen como la vetusta estructura y ya no queda nada, solo viento ululando como aullidos solitarios.

Gustavo Pino, Estudió Comunicación Social en la Universidad Católica de Santa María (UCSM), donde se especializó en periodismo. Tiene el grado magíster en Educación Superior otorgado por UCSM. Es miembro de la organización cultural “Los malos muchachos”. En el 2012 publicó su primer cuento “El maestro de Arequipa”. En el 2013 ganó los Juegos Florales de la UCSM, el mismo año publicó el cuento “Música en el callejón”. Fue redactor en Diario Noticias y Diario Correo, Arequipa, publicando una serie de crónicas y reportajes. Además, colaboró con la revista Diverse del Comercio Publicitario. Fue fundador y administrador de la página web Crónicas Clandestinas. En marzo del año en curso publicó su primer libro de cuentos “La ciudad dormida” (Aletheya). Actualmente obtuvo el segundo lugar en el concurso Breves Historias de Amor, organizado por la Municipalidad de Arequipa, y colabora con crónicas y reportajes en algunos diarios locales.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

[Poema] Sem título, de Maira Garcia


Sol não dorme,

Gira na cama
e ilumina o lado de lá 

Que ascende a luz.

O Sol, que vive aceso,
Sofre de insônia 
por uma esperança desmedida
que não se apaga.







Maira Garcia é poeta do blog Depois da lua de ontem. É compositor e cantora, e formada em propaganda pela ECA-USP. É atuante no Centro de Arte e Promoção Social do Grajaú e integra o movimento Mulherio das Letras.


terça-feira, 9 de janeiro de 2018

[Conto] O ônibus das 7h40, de J. C. Marangoni

Triim, Triiiiim. O alarme prediz que o sol está nascendo. Ainda com os olhos semicerrados, Jorge esticou o braço afim de alcançar o objeto e cessar o barulho. Sentou-se na cama, fez suas orações, colocou o chinelo e foi para o banheiro. O primeiro jato de água e o vento gélido fizeram seus pelos arrepiarem; em seguida, para sua felicidade, a água quente como coração de mãe começou a sair.
O silêncio no prédio, por conta do horário, fazia com que fossem perceptíveis todos os simples ruídos que ocorriam naquele pequeno apartamento, inclusive o tilintar das gotas caindo da cafeteira dentro da jarra transparente. Despejou o breve conteúdo na xícara, notou ao olhar o relógio que estava atrasado e tomou seu café em duas goladas, que fizeram arder sua garganta devido à quentura, mas que ele ignorou.
Com uma mão pegou a jaqueta em cima da cadeira e com a outra a mochila. E saiu às pressas. No elevador terminou de se vestir.
Para sua sorte o ônibus ainda estava lá parado, aguardando as pessoas entrarem. E, assim como nos últimos meses, provavelmente chegaria quase uma hora mais cedo no serviço. Seu receio não era chegar mais tarde no trabalho, mas sim perder aquele ônibus em si. O ônibus das 7h40.
Um sorriso se formou no seu rosto antes de passar pela catraca. Avistara o motivo de querer sempre pegar aquele ônibus, sentada próxima de uma das janelas. A vaga ao lado dela estava disponível, e, assim que pagou o cobrador, pediu-lhe licença, ela retirou o fone e o encarou com ar de interrogação.
Aquela era a primeira vez que se dirigia a ela.
Ele repetiu e por fim ela lhe sorriu e assentiu, e Jorge sentou-se ao seu lado. Tinha receio de parecer inconveniente e passar uma imagem errada. Seu dia seria perfeito, nada tiraria o sorriso da sua face.
A equipe de colaboradores reunida na sala de reuniões repassava a agenda da semana, e ele, com o pensamento voando, pensava apenas Carol. Nunca perguntou seu nome, mas um dia escutara ela atender uma ligação e se apresentar daquela forma. Não sabia se o certo era Caroline, Carolina ou se tinha uma terminação estrangeirada com Y ou qualquer uma das outras 25 letras que compunham o alfabeto. Também não era relevante se ela fosse Joana, Bianca, Camila. Para ele sempre seria a menina dos seus olhos, a menina do ônibus das 7h40.
Quando voltava para casa percebeu detalhes que o entristeceram. A luz dos postes já iluminava a noite e o clima pacato cobria a cidade. Homens de terno e gravata e com a expressão mista de cansaço e alegria na face carregavam flores, presentes e sacolinha de lojas de chocolate. O dia havia sido tão corrido e seu pensamento tão longe que nem se lembrou de que era Dia dos namorados.
Como seria ter Carol ao seu lado? Ele se imaginava levando-lhe chocolate belga, um buquê de flores e saindo juntos para jantar. Ao final, uma noite de prazer e amor. Os pensamentos fizeram a tristeza passar e voltou ao seu momento feliz.
Abriu a porta de casa e a solidão o invadiu novamente. Como era difícil morar só e não ter com quem conversar.
O ritual de pegar aquele ônibus já durava quase três meses. Elaborava uma maneira de abordar a amada sem parecer um louco. Fantasmas em sua mente criavam pensamentos de que ela podia já ser noiva ou até casada. Só haveria uma forma de descobrir. E depois de matutar durante o final de semana, decidiu que amanhã seria o grande dia.
Despertador, orações, banho, café, ônibus das 7h40 e…
Desta vez Carol não estava lá.
Pela primeira vez nesses últimos meses não a avistou. Talvez ela pudesse ter se atrasado ou algo do tipo. Terça, quarta, quinta e sexta. A semana passou, semanas passaram e Carol se foi. Se foi sem avisar.
Sentia que não haveria mais manhã, se o brilho do sol já não estava em seu olhar. Enxergava o mundo ao seu redor preto e branco, havia perdido a sua cor.
Ela jamais o traiu, jamais o desapontou. Ela nunca disse “te amo”, mas também não disse que não. O tempo passava e Jorge somente esperava uma coisa: reencontrar a garota do ônibus das 7h40.

J.C. Marangoni é bacharel em Sistemas de Informação e pós graduado em docência para o ensino superior. Em 2016 teve seus primeiros contos publicados pela editora Porto de Lenha e em 2017 foi finalista do Prêmio Porto de Lenha de Literatura com o conto "O ônibus das 7h40". Dividido entre humanas e exatas, atualmente busca novas inspirações e oportunidades para a conclusão de seu segundo romance.