segunda-feira, 19 de junho de 2017

[Poema] Identidad, por Arnaldo Domínguez


IDENTIDAD


Cosechando mi suenho
Mientras el viento pampa
Arranca, de la tierra, un cardo ruso
Confuso demandante,
Galopeador surenho,
Yo remiendo esa estampa.


Tu nombre y mi apellido,
Cual herencia del monte,
Criollo y gauchesco orgullo,
Que en cada pedregullo,
De polvo colorido,
Asombra mi horizonte.


Si hoy evoco en lamento
Es porque nubla el tiempo
Mis cuadros de la historia.


Distante en la memoria
ese resto de espejo

también arrastra el viento.




Arnaldo Domínguez de OLiveiraArgentino, natural de La Pampa, médico pela Universidad Nacional de Córdoba, graduação em 1980. Psicoanalista em São Paulo.


sexta-feira, 16 de junho de 2017

[Poema] Criolla Soledad, por Arnaldo Domínguez

Criolla Soledad



Trajinado de cielo y de llanura / cuelgo en el alambrado, entre los pájaros / unas palabras que se han humedecido / en mi bolsillo.


El sudor del caballo me traspasa / me transciende el silencio, empedernido / de una nada que brota en mis adentros.


Arde el sol de un enero campesino.


He perdido La Pampa...


- ¿Que has perdido?


Me pregunta, melancólica, la tarde. / Le responde el olvido, y no le entiendo. / No recuerdo el sonido, de su copla. / Me confunde y deslumbra, su milonga.


Me siento por el alero protegido. ¡Busco sombra!


Ni siquiera ya sé si soy yo mismo.


El catre está vacío, el mate, frío.


Se nubla, de repente, una esperanza. / Pero, insisto:
Y ese perro, a mi lado, está conmigo.


Y él parece saber de qué se trata.
Digo, por la cola y el hocico.



(Itaquaciara, 11 de junio de 2011).


Argentino, natural de La Pampa, médico pela Universidad Nacional de Córdoba, graduação em 1980. Psicoanalista em São Paulo.



segunda-feira, 12 de junho de 2017

[Conto] Perdida na floresta, por Jussara Carvalho

Um belo dia, Tomasia cansou das cobranças sobre a razão que não tomava o atalho que a mãe havia lhe ensinado para ir à escola. Não conhecia o terreno dos vizinhos e nunca tivera senso de direção, contudo confiou nas coordenadas que sua mãe havia lhe dado e entrou na mata.

Seguiu as trilhas do gado como Doroteia havia lhe dito até desaparecer o caminho e perceber que havia algo errado, porém acreditou que sua mãe não mentiria para ela.

_ Avante Tomásia! Se mãe disse que a trilha iria surgir novamente então é só andar mais um pouco para frente. Uma boa garota não questiona a sinceridade de sua mãe.

O mato ficava cada vez mais intenso. Carrapichos e outros espinhos grudaram em sua roupa, pedras e gravetos furaram seu tênis, entretanto continuou andando acreditando encontrar tal caminho. Suas pernas e braços estavam marcados com galhos que lhe perfuraram e diante dela não passaria nem lagartixa por ser muito apertado.

_ Tenho que voltar! _ Exclamou cansada _ Não há como ultrapassar a barreira de espinhos. Nem sequer sei onde estou e o mato está muito fechado atrás.

Protegeu os olhos com os braços e se jogou no espinhal antes que tivesse uma crise de choro e ficasse presa na parede viva.

Acreditou que teria sorte de chegar ao rio e descobrir onde estava, mergulharia nas suas águas transparentes, pentearia os cabelos com as pontas dos dedos e se livraria dos espinhos antes de chegar ao grupo escolar. Entretanto ficou mais perdida ainda.

_ Como é que vou conseguir ver do alto se as árvores dessa mata são arbustos, muito finas ou cheias de espinhos afiados?

Passou a manhã inteira tentando encontrar pés de mangas, bananas, ou qualquer outra fruta que pudesse matar sua fome ou andar até um terreno que conhecia. Mas localizou no meio do mato uma casa velha com algumas paredes em pé e poucas telhas no telhado. Havia décadas que ninguém passava naquele local. Viu um limoeiro carregado, achou que fosse uma laranjeira, aproximou e chupou quatro limões para matar a sede.

_ Se a terra me oferece limões eu chupo, mesmo sendo tão azedos.

De repente a garota ouve um barulho. O vento derrubou um pedaço de parede ao seu lado deixando Tomasia em pânico lembrando que algumas famílias enterram seus mortos no quintal de casa. Tinha pavor de assombração. Temendo que algum fantasma estivesse protegendo aquelas terras de intrusos, correu desesperadamente deixando metade das roupas e cabelos na vegetação, levara mandacarus e outros cactos nos pés enquanto quebrava galos com o peito para abrir caminho.



_ Outra é que vai ficar aqui para confirmar se fantasma só aparece à noite!

Chegando a um vale parou de correr, precisava recuperar o fôlego e achar o caminho volta pra casa. A sede era maior que a fome, o corpo estava encharcado de suor. Embora soubesse que havia perdido as aulas daquele dia não tinha noção de quanto tempo estava perdida. Tentou arrumar os cabelos que estavam desalinhados sobre as suas faces arranhadas, foi quando percebeu que o rabo de cavalo havia ficado para trás. Tinha perdido também alguns livros didáticos e o caderno de anotações que levava nos braços.

_ Para completar vou terminar o ano letivo sem material escolar. Eu mereço isso por ser tão burra e entrar nesse mato esperando encontrar rasto de gado inexistente para me mostrar o caminho da escola.

Precisava se acalmar e pensar numa saída. Sentou-se sobre um monte de terra fofa, abriu o único livro que lhe restara e leu duas páginas. Era uma fantasia do livro de português, estava escrito a história de uma criança da idade dela que pulou no rio e descobriu uma fressura e quando passou por ela encontrou outro mundo subterrâneo.

A história era boa, porém Tomásia levantou num pulo ao sentir picadas na bunda. Considerou a hipótese de ter sido atacada por escorpiões, já tinha sido picada por este bicho uma vez e quase morrera, por isso chorou de medo. Respirou aliviada quando constatou que eram apenas ferroadas de formigas, se livrou delas ao mesmo tempo em que saia daquele local.

_ Ninguém pode saber que fui tola o bastante para sentar em um formigueiro.

Comeu araçás, depois andou sob raízes de plantas que não sabia o nome e debaixo de folhas que filtravam o sol.

_ A essa altura as aulas do dia já terminaram e eu aqui broqueando o filete de luz que entra no lar das formigas mordedeiras.

Sua pressa de voltar pra casa agora era medo de escurecer e passar a noite sozinha no habitat de cascavel e outras cobras peçonhentas.

Ouviu novamente barulho e se assustou achando que fosse animal selvagem. Expirou o ar que prendeu nos pulmões ao se convencer que fora apenas sua barriga roncando. De tanto andar sobre tocos, pedras e raízes, os tênis que usavam ficaram gastos e deixavam metades dos dedos expostos. Tirou-os para remover as pedrinhas e cascas de árvores que estavam machucando seus pés. Respirou fundo e continuou andando triste e cansada. O calor era sufocante e os ferimentos doíam e pinicavam.

Prendeu novamente os cabelos a uma caneta, ralou o braço no juazeiro, fitou o chão e começou comer juá sem perceber que ferira o braço no espinho da árvore. Porem o sangue começou escorrer e Tomasia interrompeu a refeição para tratar da sangria. Pressionar a ferida não foi o bastante para que as hemácias e leucócitos da garota voltassem normalmente a corrente sanguínea. Reuniu algumas folhas ásperas, mas eram muito pequenas para o curativo, então arrancou um pedaço de papel do livro e depositou sobre o ferimento, arrancou outra página para amarrar no braço. Confusa sobre o que devia fazer.

_ Em outra circunstância eu não maltrataria um livro, mas agora vendo esse braço melado com esse sangue que parece que vai fugir todinho, começo a pensar que vou morrer aqui. Não posso morrer agora, tenho tantos anos pra viver e sonhos pra realizar.

Sacudiu a saia e voltou a andar sem direção, na expectativa de encontrar frutinhas pretas e duras mais adiante e puder comê-las.

_ Levante Tomasia! Se quiser sair daqui viva é preciso andar e andar até em casa e ir ao encontro de frutas comestíveis.

Ouviu o canto de uma araponga e pensando ser um homem batendo em uma ferramenta correu em direção ao som, quando a ave voou para o alto passou a mão na testa pra limpar o suor.

_ Eta Tomasia! Passei tanto tempo no mato que estou confundindo o som de um pássaro com um ferreiro na bigorna.

As horas foram passando até que a criança encontrou maracujá do mato. Devorou os frutos maduros e os verdes como quem come uma barra de chocolate.

O sol estava quase se pondo quando avistou um clarão. A menina foi apressada conferir se era uma estrada de terra ou uma miragem. Ali encontrou troncos de árvores cortadas e cinzas na terra e sorriu.

_ Hora de voltar pra casa Tomasia! Se eu estou numa área desmatada, decerto há uma trilha que leva a uma casa, ou uma estrada, no mínimo agora vou encontrar alguém para me conduzir a fazenda dos meus pais.

Sua intuição estava certa, todavia entrou na estrada à terra a 9 KM de sua casa.

_ Não reclame Tomasia! Pelo menos agora eu sei onde estou.

Por um momento não sentiu cansaço, a alegria de voltar pra casa era tamanha que percorreu os 9 KM correndo para evitar a escuridão na encruzilhada e 1 hora depois pisou suarenta no terreiro da frente da casa onde morava.

Quando Tomasia entrou na cozinha estava zangada e quis saber o motivo que sua mãe insistiu para ela pegar o atalho que acabava no meio da mata, porem Doroteia fingiu não ouvir e quando a menina insistiu, respondeu que a filha era uma desastrada sem juízo e continuou preparando o jantar da família.


Apesar da aventura do dia que deixou seu corpo dolorido, Tomasia estava feliz por está em casa saboreando uma comida quentinha e dormir outra vez numa cama limpa e seca.

Jussara Carvalho é contadora de histórias, locutora voluntária na rádio de Paraisópolis, contista, cronista, poeta, romancista, escritora de livros infantis e juvenis, conhecida como a escritora de Paraisópolis pelos livros Demolidor de Corações, Quando o Coração Fala e O Mundo da Grande Formiga.

sexta-feira, 9 de junho de 2017

[Crônica] Quimera do amor, por Lilian Oliveira

A paixão faz do nosso coração um escravo... do desejo; do sentimento avassalador; do devaneio da sedução; impalpável; imensurável.

Um grande filósofo (Hegel) escreveu uma dialética sobre o senhor e o escravo, onde um precisa do outro para existir.

Quero olhar nesta direção simbólica, de como a alma sente e necessita deste poderoso e precioso sentimento.

Convenhamos, por mais que assuste compreender e senti-lo, mesmo que seja passageiro, faz aquele reboliço na vida, o coração dá pulinhos de tanto que palpita, a barriga fica borboleteando, as pernas tremem mesmo na base!

Pode até doer, mas também confere muito prazer... Entorpece a alma.

O cheiro da pele... hum... é como um ramalhete de mirra, cheiro que aguça o desejo do amor. Em aprazível olhar, buscamos o encontro, o toque da alma, da essência. Serve até de sustento para o corpo, pois na maioria das vezes, amar tira a fome, espalha o sono, evocando o doce desejo de sermos parte do outro e outro parte em nós. Muitas vezes dá vontade de guardar o outro dentro de nós, bem guardadinho!

É um sentimento que envolve todos os sentidos, eu penso que deve até afinar o sangue de tanto fazê-lo correr ligeiro por dentre as entranhas do corpo. Inverte-se o funcionamento das funções, o coração passa a ser na cabeça e a cabeça perde seu lugar de razão, isso é realmente estar em estado de paixonite aguda!

Esplêndido! Como diz na canção: Amor não se mede...

Certa vez, conversando com um médico, ele me disse: O amor é algo que se aprende! Concordo, aprendemos mesmo a amar, aprendemos também com os desamores, talvez o amor seja uma paixão aprendida!? Ou vice-versa!?

Simplesmente em alguns momentos de nossas vidas somos acertados em cheio pela flecha do cupido e aí não tem jeito, os dias amanhecem coloridos mesmo que em contraste aos dias nublados da vida, como o outono. E, porventura, não é que o mês dos apaixonados e enamorados comemora-se bem no outono?! Contudo, o outono também possui seu reluzente brilho. E os enamorados ainda mais!

Enamore-se! Permita-se! Deixe que seus medos se flamulem ao vento e sejam levados para bem longe, e as decepções do passado, deixe-as, bem no passado, pois é lá que elas devem ficar.

Amar filtra o sangue, muitos dizem que até a pele fica mais bonita, eu acredito! Apaixonar-se é viver, renove-se, renasça... Sinta o aroma e o frescor do amor como a aurora vindoura, como gaivota a voar em loura manhã; que a vida lhe traga com inexplicável ternura um sonhado amor.

Então... “Levantar-me-ei, pois, e rodearei a cidade; pelas ruas e pelas praças buscarei aquele a quem ama a minha alma; busquei-o, e não o achei.” (Cantares 3:3).




Lilian Oliveira, é pedagoga, poeta e graduanda da disciplina de Geografia. Mãe do Luis Vinicius; da Lilian Quézia e da Ana Luíza. É professora de Educação Infantil no CEI Nossa Senhora Rainha da Paz.





  


quinta-feira, 8 de junho de 2017

[Teatro] Projeto Ecos Latinos faz parceria com espetáculo teatral para junho em SP

Projeto Ecos Latinos vem procurando levar a literatura latino-americana e cultura à cidade. E essa estratégia também inclui parcerias com outros meios culturais, como o teatro.

A mais nova ação é em conjunto com a Cia. Bruta de Arte, responsável pela peça “QUANTOS SEGUNDOS DURA UMA NUVEM DE POEIRA”, dirigida por Roberto Audio e que fica em cartaz até o dia 26 de junho na Escola SP de Teatro. O valor da entrada para o espetáculo é de R$ 20, mas quem curtir a página do projeto no Facebook e disser na bilheteria que aceitou o convite do Ecos Latinos para prestigiar a peça paga apenas R$ 10 de ingresso.

Essa já é a quarta vez que o Ecos Latinos promove uma parceria com uma companhia de teatro.

SINOPSE:

Um terremoto abre uma fenda na terra e divide um país inteiro em dois lados. Em vários lados. Por conta disso, um grupo de amigos parte para as Ilhas Galápagos, lugar onde Darwin iniciou seus estudos sobre a teoria da espécies, com o intuito de recriarem e preservarem experiências individuais e coletivas de memória e esquecimento, num espaço de intersecção entre ficção e realidade. Ao se defrontarem com o comportamento dos animais, traçam um paralelo com as suas próprias relações fragilizadas e percebem o quanto estão regredindo por terem deixado algo muito importante ser esquecido: o afeto.


SERVIÇO:
Espetáculo: Quantos Segundos Dura uma Nuvem de Poeira
Direção: Roberto Audio
Data e horario: Sábados, às 21h; domingos, às 20h; segundas, às 21h. Em cartaz até 26 de junho de 2017.
Local: Escola SP de Teatro - Praça Franklin Roosevelt, 210 – Consolação
Duração: 90 minutos
Recomendação: 14 anos
Ingressos: R$ 10 com a promoção Ecos Latinos (inteira custa R$ 20)

Capacidade: 60 lugares




domingo, 4 de junho de 2017

[Crônica] Ecos Latinos no Peru

O projeto Ecos Latinos fez uma aventura por terras peruanas, ecoando a poesia latino-americana de sua antologia Daqui e dali, com o trabalho poético dos trezes poetas de diferentes países que compõem o livro.

Biblioteca Municipal de Cusco



A aventura começou em Cuzco, onde foram estregues exemplares do livro para a Biblioteca Municipal del Cuzco. Também visitamos Machu Picchu e fizemos registros por lá. Foi a caminho da fortaleza inca que conhecemos a escritora mexicana Elizabeth Uribe de Petersen, que ao se encantar com o nosso projeto se ofereceu para apresentar o nosso trabalho em terras guadalupanas, então, o nosso livro Daqui e dali também partiu para o México, nesta aventura toda.


Em Cusco soubemos pelo nosso colaborador, o bibliotecário Alan Concepción Cuenca, que a seguinte parada seria em Lima, com uma apresentação do nosso livro e projeto na Biblioteca Ricardo Palma de Miraflores. O patrono da biblioteca, Ricardo Palma, é um dos principais escritores românticos do Peru, escreveu diversos gêneros: poesia, novela, drama, sátira, crítica, crônicas e ensaios, sendo sua obra maior o livro de relatos curtos Tradiciones Peruanas.


A seguinte parada foi nada menos do que na cidade de Arequipa, onde nasceu o nobel peruano de literatura, Mario Vargas Llosa. Lá visitamos diferentes livrarias e bibliotecas, deixando exemplares dos nossos livros na Biblioteca Mario Vargas Llosa de Arequipa.

Biblioteca Mario Vargas Llosa

Com o diretor da biblioteca, o Sr. Mario Rommel


Em Lima, também visitamos diversas bibliotecas, como a Biblioteca Municipal de Lima e a Biblioteca da PUC do Peru, uma das mais modernas do país. Assim, na última quinta-feira fomos recebidos pela dona Beatriz Prieto, diretora da Biblioteca Ricardo Palma. Lá pudemos apresentar o nosso projeto, falar do programa VAI da prefeitura de São Paulo e finalmente apresentar o nosso poemário. O enceramento do evento contou com a declamação de poemas em português, a cargo de Vando Andrade, e em espanhol, por Alan Concepción Cuenca. Foi uma noite muito especial para nós, ecolatineros.






Mas a nossa aventura ainda não acabou, deixamos exemplares do livro que ainda serão distribuídos em mais algumas bibliotecas peruanas.



Obrigado, Peru!


Texto: Víctor Gonzales
Revisão: Alexandre Pereira e Lilian Oliveira



sábado, 13 de maio de 2017

[Crônica] Paixão, por Lilian Oliveira

                                                                                                          Fonte: Google 2017.

Quando esperava meu primeiro filho, uma mulher me disse: você vai vivenciar um grande amor, será sua grande paixão, pois bem, não é que aquela mulher tinha razão?! Gerar um filho no útero ou no coração é uma paixão eterna, de fato, fiquei curiosa para conhecer o significado e definição de "paixão", lembrei-me da "Paixão de Cristo", que porventura nos lembra do sofrimento e martírio de Cristo. Essa palavra em sua definição e significado fala de ardente sentimento intenso, parcial, grande predileção, sofrimento, entre outros. Mediante esta análise quero atrelar este sentimento ao nosso de mães, após a maternidade inúmeros acontecimentos ocorrem em nossas vidas, elas se transformam, se recriam, se remendam e deve-se remendar, simplesmente pelo fato de que somos parte de um processo de construção e desenvolvimento de nós e do outro, aquele (a) de quem cuidamos, amamos e criamos como nosso filho (a). Particularmente eu gosto muito desta palavra: "remendar", por nos mostrar que não somos perfeitas e nem precisamos ser, creio que ninguém nunca será. Então, será provável que iremos errar e não aceitar que erramos, acertar e não sermos reconhecidas que acertamos, acontecerão momentos de amores e desamores, cada mãe enxerga a maternidade de uma forma, umas fazem tudo pelos seus filhos sem medida, não medem esforços nem consequências, outras de forma mais deliberada tentam dar autonomia sem largar, protegendo e segurando as pontas quando necessário; liberais, tradicionais, super protetoras etc... mas todas (os) têm uma coisa em comum, digo todos também, pelo ato e ação da maternidade não ser unicamente exclusiva do gênero feminino. O amor, a paixão é a marca, o registro, o selo desta relação, desta preciosa experiência. Agora quero deixar uma reflexão... Se ame, se cuide, se doe sem se anular, porque você é parte deste processo, uma parte para ser concreta depende da outra, de modo que, nenhuma pode ser inteira e completa sem a outra, muitas mães se esquecem de si mesmas, isso pode acontecer por diversos motivos, principalmente cultural, mas temos que nos reconhecer como parte; não posso querer que o outro se sinta feliz, amado e pleno se eu não me realizo em pleno amor comigo mesma. Lembra do remendar? Não deixe que as intercorrências, interferências e consequências da vida venham estagnar o seu "eu", porque, meu bem, ser maternal não é ser prisioneira da maternidade, crie uma interlocução com você mesma, assim será mais fácil se enxergar no outro e o outro também se enxergar em nós, é, somos o sagrado espelho. Desejo a todas (os) que sejam felizes com a maternidade, que ao padecer nesse paraíso vos floresça a amabilidade!

Lilian Oliveira, é pedagoga, poeta e graduanda da disciplina de Geografia. Mãe do Luis Vinicius; da Lilian Quézia e da Ana Luíza. É professora de Educação Infantil no CEI Nossa Senhora Rainha da Paz.



quarta-feira, 15 de março de 2017

Mulheres de março, por Lilian Oliveira

Mulher virtuosa quem achará? O seu valor muito excede o de rubis. (Provérbios, 31: 10)



Mulher humana em sua plenitude de doar-se, sem culpas por seus erros, heroína em enxerga-los, construindo um novo caminho; diferente dos seus antepassados entende que cada fardo é uma lição, só quem conheceu os temporais desfruta da calmaria. Aprendendo a levar a vida com harmonia e leveza de alma, aceitando a dádiva libertária da vida, sem prisões. 

Em constante sensibilidade rege sua luta como guerreira dócil, suas armas são amor, a força para desbravar sua história, podendo até remendar sua trajetória com os retalhos que tem, para tornar-se aquilo que quer ser.
Faz de suas desventuras bem-aventuranças, empondera-se da sua feminilidade, sensualidade, inteligência, fecunda em amor desmedido, longânima em perdão, desafia a imensidão entre o "ser" e o "estar".

Em vasta coragem prossegue, apesar dos pesares, desafiando seus próprios medos. Que todas as lutas sejam portas abertas para a inteligência, que os sonhos tragam um colorido para a realidade. Sabendo que nada é absoluto tudo move, tudo gira, tudo voa e desaparece.

Sua alma pode até conhecer o ópio, mas ao despertar, renasce a fênix, com todo esplendor de deusa, do seu poder, rebate suas cinzas, arqueia suas asas, olhando para o horizonte, para ti não há fronteiras.
Gerencia sua vida, ajudadora, mãe, esposa, companheira, mantenedora... mil e uma utilidades!
Mulher que vai do tudo ao nada e dentro do nada enxerga a possibilidade de novamente construir o tudo, em puro movimento e transformação.
Enfrenta as metamorfoses da vida com a delicadeza e beleza de uma borboleta.
Apronta o teu campo, que é como navio mercante, de longe traz o seu pão. Sua lâmpada não se apaga de noite.
Que seus adornos sejam poemas. Que a aragem do tempo sopre poesia e acorde à guerreira em ti, em mim, com graça elegante flutue no ar a melodia lírica emaranhada em tua alma.
Veste-se de força e glória, oh tu mulher! 



Lilian Oliveira, é pedagoga, poeta e estudante na disciplina de Geografia. Mãe do Luis Vinicius; da Lilian Quézia e da Ana Luíza. É professora de Educação Infantil no CEI Nossa Senhora Rainha da Paz.



sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

[Crônica] Encantos poéticos da alma, por Lilian Oliveira

Sarau Sintonize a Poesia, realizado na Biblioteca Parque Villa-Lobos, evento organizado pelo artista plástico e escritor Hugo Paz, com a parceria do projeto Ecos Latinos com o gestor cultural Víctor Gonzales.


Muito aguardado por todos os convidados, inclusive por mim, onde tive a oportunidade de conhecer um amplo contexto artístico e sentir a unificação do desejo de prazer e satisfação entre todos os convidados.

A alegria esta que invade trazendo inspiração a todos que querem trilhar no caminho libertário das artes.

O evento iniciou-se com a entrevista do Hugo Paz, onde relatou sua trajetória com grafite, pinturas artísticas e literatura. Duas de suas obras lhe concederam medalha de prata pela União dos Artistas Plásticos, na Casa de Portugal. O artista descreveu sua trajetória movida por essas duas vertentes artísticas, a pintura e a escrita.

O encontro foi marcado por belas performances poéticas, proporcionando a todos o privilégio de conhecer a expressão artística de diversas culturas. O sarau estabeleceu uma interlocução entre todas as linguagens artísticas, teatro, poesias e música, a forma em que todos os convidados se apresentaram trouxe um encantamento pela beleza da arte, de como a vida  necessita desta pulsar, esta aproximação entre a essência do "eu" verdadeiro, sincero do que realmente traz significado à nossa existência. A voz, a entonação individual de cada artista, expressa um análogo entre si, exprimindo uma semelhança em seus desejos de recitar, proclamar, a arte, a vida, a poesia.

Surpreendente um dos coletivos convidados tratou em sua apresentação sobre a figura da mulher, nos dias atuais, com todas as desventuras, sofridas em nossa sociedade simplesmente por "ser mulher”, onde tem a sua vida, comportamento e conduta ditadas por nossa sociedade sexista e machista. A  atriz deixou a plateia emocionada, eu que estava lá, senti arrepios em meu corpo, de ver minhas angústias narradas naquela apresentação. Angústias essas que sonho, em não ver, minhas filhas passarem!

Outra apresentação bem marcante foi sobre o nordestino com as revoltas, por disputa de territórios e a consolidação da República, o ator narra todo o sofrimento enfrentado por homens, mulheres e crianças neste conflituoso período, ecoa em meus ouvidos o barulho dos cavalos, os gritos, ver e sentir o punhal, A voz do ator entoa com gritos e berros de forma intensa e profunda, onde a plateia permanece impactada.

Momentos em que todos as artistas têm a oportunidade de ser protagonista da própria história, registrar sua visão de mundo através da sua arte. Compartilhar sua voz através da literatura, dança, etc... é sua missão, e para nós plateia, é um grande prazer acompanhar seu progresso.

O Encontro promoveu a compreensão de como a arte é realmente liberdade, afeto, trajetória de luta e conquistas, é essência, fonte que libera energia, atribuindo significados à nevrálgica condição humana.


A arte sobretudo é o acostamento da vida!


Lilian Oliveira, é pedagoga, poeta e estudante na disciplina de Geografia. Mãe do Luis Vinicius; da Lilian Quézia e da Ana Luíza. É professora de Educação Infantil no CEI Nossa Senhora Rainha da Paz.

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

[Traduções] Um ladrão, por Edwin Madrid. Tradução de Maria Eduarda Sousa

Na semana passada publicamos o conto Un ladrón do escritor equatoriano Edwin Madrid, desta vez apresentamos a sua tradução.

Em 2016, 'Mordendo o frio' (AE, 2016) foi o primeiro livro traduzido do autor ao português. Agora, para Ecos Latinos, apresentamos de forma inédita a tradução do seu primeiro conto em português; a tradução foi realizada pela tradutora portuguesa Maria Eduarda Sousa. 

Com a apresentação deste trabalho inauguramos o espaço traduções em nosso blogue, onde serão publicados textos traduzidos, podendo ser contos, poemas, resenhas e ensaios. Os interessados em mandar as suas traduções podem escrever para projetoecoslatinos@gmail.com. 

Boa leitura! 

O ladrão
Autor: Edwin Madrid
Tradução: Maria Eduarda Sousa

EU ESTAVA A DORMIR caladinho, o ladrão abriu a porta com a chave mestra que têm todos os ladrões. Dormia a sono solto, o sono é uma coisa mais bonita que um ladrão, mas ele começou a andar em bicos de pés, dobrando a ponta dos seus sapatos de borracha, não fazia nenhum ruído, imaginava que eu dormia a sono solto junto à minha mulher, que a meu lado dormia como um enorme pássaro que a noite tinha surpreendido na sua migração para o sul. Eu, sonhava com um menino que tinha cabeça de armário, era meu amigo, ria-se quando lhe pedia que fossemos jogar futebol, o seu riso era o ruído das portas. O ladrão, tinha aberto a porta do meu quarto. Precatou-se que sonhava num sonho, e de que a minha mulher dormia como uma andorinha gigante junto a mim. Eu em pleno campo jogando com o cabeça de armário, que ganhava todas as bolas por alto. Dizia-lhe: nos cantos tens que subir, e ele respondia: não louco, depois quem fica atrás, não posso regressar tão rápido. Rapidamente o ladrão fechou a porta, desceu para a sala; ali tirou um saco no qual cabiam o frigorífico, a televisão, a minha máquina de escrever e, sobretudo, a bicicleta da minha filha. Mas quando esteve frente ao televisor, inteligentemente, decidiu comprovar o seu funcionamento, ligou-o justamente quando no écran aparecia Woody Allen em A Rosa Púrpura do Cairo. Eu mandava ao cairo o cabeça de armário, por sua culpa fizeram-nos o primeiro golo, a partida estava-nos a pôr em dificuldades e, em baixo, o ladrão, a morrer de riso, vendo a televisão mas deu conta que fazia muito barulho, assim tapou a boca com as mãos e seguiu rindo com a boca tapada. Mão na área, eu vou disse ao cabeça de armário. Coloquei a bola no sítio e  pontapei-a com força, com fé, a bola no seu voo de andorinha, aninhou-se num costado do arco, devolvendo o sorriso ao rosto do cabeça de armário, enquanto Woody fazia cara de estúpido porque não compreendia o que se passava no seu filme, a personagem saía do écran e falava-lhe. A minha mulher, como um montãozinho de plumas dormindo a meu lado com as asas abertas, uma bola despejada ao vazio à qual chego rompendo a armadilha do ofside e chuto rápido um balázio que esbarra na horizontal, o cabeça de armário entusiasmado grita: Essa é à Madrid! Essa é! O ladrão com o sorriso nas mãos, puxa uma cadeira e senta-se a ver o filme. A minha mulher sonha que é um formoso pássaro que sai voando pela janela; eu, quase esgotado pelo tempo que jogo, aproximo-me do cabeça de armário que suado abre as suas portas e juntos vamos até aos duches. A minha mulher voa pelo céu do bairro enteirando-se do que se passa em cada uma das casas. Sinto um jorro de água que me acalma, e ao mesmo tempo, desperta-me com sede. Acendo a luz, vejo que a minha mulher dorme, docemente, agarrada ao seu travesseiro. Dirijo-me à cozinha, ao atravessar a sala, o ladrão põe-se em guarda, e disse-me: deverias continuar a dormir. Respondo: e você não deveria entrar nas casas a esta hora para ver televisão,  ele responde: é verdade, eu deveria estar a roubar mas o filme está tão divertido que me esqueci ao que vim, e convida-me a sentar. Woody Allen parece estar enamorado da sua personagem. Ah! digo: é A Rosa Púrpura do Cairo, sempre passam bons filmes a esta hora. Olha que não sabia disse-me, o ladrão, amigavelmente. Assim é digo-lhe. Creio que estão a passar um ciclo de Woody Allen; ontem deram Os Dias da Rádio. Se é assim terei que mudar de horário disse. Acho que sim, digo, porque parece muito estúpido que se sente a ver televisão quando deveria estar a roubar. O que se passa é que esperava um anúncio mas a esta hora não souberam passar. Pois admira-me que um ladrão tão instruido não saiba, digo. Bom, disse, olha que não, como a televisão é uma porcaria, nunca imaginei que os bons filmes passem a esta hora e sem cortes de publicidade. Agora, já o sabe, disse, assim que saia da minha casa. Eh pá! Disse, não te parece absurdo que me vá de mãos vazias. De maneira nenhuma, disse-lhe, se leva o conhecimento que os bons filmes passam de madrugada, não crê que é suficiente. Sim,  claro, disse, mas a quem serve, como posso chegar à minha mulher com o saco vazio. Isso é problema seu, disse-lhe, nunca vi um ladrão tão torpe. Assim falavamos até que a minha mulher chegou voando, pousou no espaldar do cadeirão, e começou a gritar como um papagaio: que se passa! que se passa! O ladrão, admirado de ver a sua plumagem, disse: nada, que em vez de entrar a roubar, acabei a ver o filme. Ah! Exclamou a minha mulher, olhando para o televisor, é A Rosa Púrpura do Cairo. Bom filme! E puseram-se a conversar sobre cinema, diretores e atores, até que amanheceu e apareceu a minha filha em pijama trazendo uma formosa rosa azul metálico que entregou ao ladrão dizendo: cortei-a para ti, porque escutei que gostas muito de A Rosa Púrpura do Cairo. O ladrão, quase envergonhado, pegou-a com um sorriso, pôs-se em pé e disse: é hora de partir, estou começando a ter sono. Pois raspe-
-se, disse-lhe, pegando na sua bolsa que lhe lancei ao rosto. O ladrão, abriu de novo a porta e saiu. Ia pensando como a personagem saía do écran e conversava com Allen. Perguntava-se: haverá filmes, nos quais depois de roubar, alguém possa sair do écran e confundir-se entre o público? Caminhava com as suas sapatilhas que à luz do dia eram vermelhas como dois tomates. De repente, um cão começou a ladrar-lhe obstinadamente, lembrou-se que num dos seus bolsos levava comida para entretê-los mas quando ia atirá-la, o cão parou firmemente e disse: O quê! Não dás conta de que sou um cão polícia? O ladrão, cabisbaixo, pegou mais um pouco de comida e lançou-
-lha, o cão apanhando-a no ar e abanando a cauda partiu. Que filme tão bom! Que alguém possa entrar pelo écran na casa de Hudson, de Stallone e roubar-lhes tudo, inclusive os seus gostos sexuais, seguia pensando enquanto saía da cidade e se embrenhava num desses bairros marginais. Viu que um pássaro voava e recordou-se da minha mulher, entrou por uma viela onde um bêbado ao passar ao seu lado, garrafa na mão o saudou: Olá Carlos! Dá um gole. O ladrão, chama-se Carlos, ou mais conhecido como Carlangas o mago, o que ao entrar numa casa desaparece com tudo. Novamente um cão cruza-se, o ladrão exclama: Oh! Um cão, e segue. Na casa da esquina um homem arde em febre. O ladrão observa que dois meninos fizeram um círculo no chão e jogam lançando bolas, um disse ao outro Estás morto! E o outro responde Mentira! Recolhendo a sua bola do círculo. O homem da casa da esquina está doente. O ladrão passa pela sua casa e não sabe que dentro um homem morre. Chega a uma porta negra e entra. No interior, a sua mulher ainda na cama, como uma galinha chocando, sobressalta-se ao ver o ladrão exibindo o seu saco vazio, a galinha abraça-o e diz-lhe que não importa. Esgotado estende-se sobre a cama, acende o televisor e fica profundamente adormecido.



quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

[Lançamento] São Paulo em palavras

São Paulo em palavras, o lançamento ocorre no dia do aniversário da cidade, 25 de janeiro, no Sesc Pinheiros, com a presença dos escritores e sarau





São Paulo em conto, prosa e verso pelas palavras de Alessandro Buzo, Alex Richards, Amara Moira, Ana Maria González, Andrea Pelagagi, Bruno Brum, Brunno Almedia Maia, Daniel Arruda, Dennis de Oliveira, Erika Balbino, Fábio Bardella, Gu Tramontin, Janaina Abreu, Jenyffer Nascimento, João Diniz, Jonas Worcman, José Santos, Lívia Prado, Paulo Rafael, Pedro Gabriel, Roberta Scatolini, Selma Maria + Nina Anderson, Vanessa Farias, Wagner Merije e do saudoso Mário de Andrade.

Para celebrar a cidade, um grupo de escritores foi reunido pelo editor e artista múltiplo Wagner Merije para criar uma obra única e coletiva que mostrasse a relação de cada autor com a metrópole. O resultado é a antologia São Paulo em Palavras, compêndio de 160 páginas à venda por R$ 30 que será lançado em 25 de janeiro, no Sesc Pinheiros.

"...A ideia é descortinar e mostrar a capital revista por paulistanos e paulistas, por brasileiros de outras partes do país e de fora dele, por gente das periferias e universidades, com formações diversas e atuações em vários movimentos e que vivem a cidade com intensidade...", afirma Merije, organizador do livro.

No título, cada autor apresenta suas criações em seis páginas. Amor, amizade, tensão, delírio, autoconhecimento e mapas sentimentais que trazem à tona lugares, personagens, momentos históricos e suas relações afetivas sobre esta instigante cidade que completa 463 anos.

“...Em quase meio século de existência, São Paulo se tornou uma metrópole superlativa em tudo, inclusive na diversidade. Por motivos assim, é muito válido dedicar uma obra artística de percepções múltiplas para a pauliceia. A concepção grega de percepção incluía a provocação do reconhecimento, de admitir que cada coisa tem alma, paixões, amor, fascinação capaz de provocar uma reciprocidade afetiva no sujeito percebedor. São representações abertas sobre São Paulo a propor o diálogo e a interação...”, complementa Merije, no prólogo do livro.

São Paulo em Palavras tem a orelha assinada por Alexandre Staut, escritor, editor, criador da revista São Paulo Review.


O lançamento acontece no dia do aniversário da cidade, 25 de janeiro (quarta-feira), das 17h às 19h, no Sesc Pinheiros, com direito a sarau com participação de vários escritores e microfone aberto para o público.



Foto: Lívia Prado

Lançamento com Sarau do livro 
São Paulo em palavras
Data: 25/1/2017
Horário: 17h às 19h
Local: Sesc Pinheiros
Entrada: livre